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Bancos lucram mais com digitalização, mas clientes e trabalhadores pagam a conta

Investimentos ampliam rentabilidade, mas eliminam empregos, concentram atendimento nos canais digitais e ampliam desafios de inclusão financeira
Lucro recorde dos bancos
Imagem: Inteligência Artificial

A imagem histórica das agências bancárias — marcada por filas persistentes, guichês de vidro e o som rítmico de autenticadoras de papel — está sendo rapidamente substituída por uma realidade silenciosa movida por algoritmos e interfaces digitais.

O setor financeiro brasileiro consolidou, em 2025, uma transição profunda em sua estrutura operacional, impulsionada por um investimento massivo de R$ 47,8 bilhões em tecnologia apenas neste exercício.

A anatomia do serviço bancário começa a apresentar uma mudança importante:  os canais digitais (mobile e internet banking) já concentram parte relevante das operações bancárias, relegando o atendimento presencial a uma fração residual e altamente especializada do cotidiano bancário. E mesmo esse chamado resíduo não pode ser desconsiderado: apenas no ano de 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas.

A Retração do Atendimento Físico e o Êxodo das Agências
O encolhimento da rede física não é apenas uma busca por eficiência, mas uma reconfiguração geográfica e estratégica – na prática, o número cada vez menor de agências físicas em operação reflete a migração dos clientes para ecossistemas de autoatendimento, gerando o que analistas chamam de “desertificação bancária” em certas regiões.

A análise demográfica revela nuances críticas: 19,7 milhões de brasileiros residem em municípios sem agências tradicionais, esses cidadãos podem recorrer a serviços alternativos, como os Postos de Atendimento Bancário (PABs – que possuem uma estrutura muito mais enxuta em relação às agências tradicionais) e cooperativas de crédito. Assim, o contingente sem qualquer ponto físico de atendimento cai para 5,6 milhões de pessoas em 926 municípios.

Contudo, a dependência do Estado permanece inalterada nas periferias econômicas: nas regiões Norte e Nordeste, os bancos públicos são responsáveis por 100% da oferta de crédito imobiliário, evidenciando que a retração privada não é acompanhada por uma digitalização inclusiva nessas praças.

O Perfil Profissional em Mutação
A digitalização não alterou apenas o consumo, mas a própria natureza da ocupação bancária. O fechamento das agências físicas provocou uma queda drástica nas funções operacionais e administrativas, refletindo o enxugamento da mão-de-obra e a redução dos custos com a justificativa de modernização do atendimento e a preferência dos clientes pelos serviços digitais. Entre 2015 e 2025, as ocupações em queda livre nos bancos privados foram:

  • Supervisores administrativos: -85%
  • Atendentes de agência: -68%
  • Caixas de banco: -58%
  • Gerentes de agência: -33%

Enquanto os balcões esvaziam, as áreas de infraestrutura e desenvolvimento vivem uma expansão explosiva. O “bancário” moderno hoje é, em larga escala, um arquiteto de dados ou desenvolvedor. O recrutamento para áreas de tecnologia registrou saltos de quatro dígitos em funções estratégicas na última década.

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